1 ou 2 coisas sobre colocar o bloco na rua

Digamos que nos últimos 4 meses a vida tenha dado uns 11 duplos mortais carpados por semana, ou algo assim. Uma caixinha de surpresa a cada dois dias. Empreeender é o tipo de palavra que merecia um dicionário só pra ela.

(Pronto. Ideia do dia: um dicionário com definições do tema, coescrito com quem quiser e com depoimentos de quem vier. Vem? Sério, quem topar: carol.delgado@sayitloud.com.br e começamos esta semana. Animei.)

É assim que eu funciono (ou não). Eu tenho ideias enquanto tomo banho, enquanto escrevo um post, enquanto amarro os cadarços do Kim. E aí, depois da ideia, eu poderia passar duas semanas de folga, ou continuar tendo outras tantas ideias, enquanto a fada da organização monta a apresentação, organiza o cronograma de ação, capta recursos e me chama de volta pra ativar o motor da mão na massa e executar. Que bom seria. Mas na prática, a vida não é um filme e você precisa mesmo entender todas as etapas da sua ideia, nem que seja pra falar: “isso não vai dar pra aprender/ curtir/ fazer nessa vida” e pedir ajudar pros universitários.

PS: pedir ajuda. Mais uma do parece fácil, mas foi difícil. Medo de incomodar, medo da ideia nem ser tão legal assim e ficar no vácuo, e muito mais. E aí quando você descobre o quanto é libertador deixar alguém te dar a mão, o mundo gira.

Empreender, na essência, é resistir. Empreender sem o dinheiro do aluguel garantido é alguma outra coisa que ainda não sei, mas aviso assim que conseguir dimensionar. Pra mim – e esse é um post na primeira pessoa que surgiu depois de ter aprendido tanto com outras experiências contadas desse jeito – empreendedorismo é como criar sua própria mágica, descobrir seu superpoder. Quase uma evolução daquela brincadeira do “que super-herói você seria se…”. E cada um vai fazer do seu jeito, isso é fato. O que é legal ter em mente, é que existem uma série de ferramentas – que sim, tem nomes um pouco intimidadores como mapa de stakeholders e plano de negócios – que podem deixar a caminhada um pouco menos árdua.

E aqui deixo mais uma carol’s quote: mergulha nessa com muito tesão de aprender, de ouvir e dividir, o caminho é tão encantador quanto a chegada. Até porque, na chegada você descobre que a riqueza é continuar em movimento.

Eu comprei um livro que me fez recair de amores pela antropologia: “A Invenção da Cultura”, do Roy Wagner. E decidi querer dedicar minha vida a espalhar pro mundo a antropologia reversa como uma ferramenta de empoderamento. E quero que todos tenham acesso a isso e experimentem o poder de operar microrrevoluções a partir do encontro. Com isso tudo girando sem parar, o bloco foi pra rua. E mesmo com o cartão de crédito na negociação com a financeira e meus pais rezando novenas diárias pra eu sair do vermelho, tá sendo um dos momentos mais alumbrantes de vida. Tem as noites de entrar nos sites de emprego, reorganizar o CV, chorar a madrugada inteira, pensar que tudo não passa de mais uma inconsequência da minha cabeça e tá na hora de perceber que não tenho mais idade pra isso. Mas a boa notícia é que isso passa.

Tem 4 meses que eu fui demitida do meu último emprego. Desde então: 2 rodadas do lab de encontros antropológicos, acabei de entregar o desafio pra 2a etapa do social good brasil, atividade aceita no festival hub escola, selecionada pro treinamento NESTA no Brasil, na torcida pra virada sustentável, no meio de um edital gigabyte pra ocupação Caixa Cultural (vem que dá tempo) e um bando de café com gente linda pra marcar e PEDIR AJUDA. Mermão, se isso não é um “vai em frente” com as bençãos do arco-íris, não sei o que seria.

Quem tem um sonho não dança, meu amor. Bota água no feijão, intenção no coração, tira a cera do ouvido, as amarras do tornozelo, abre a janela pras boas novas e bora deixar um legado nessa terra que a vida é mais!

Divido aqui algumas experiências, pessoas e coisas que me inspira(ra)m, vai que elas te ajudam também:

-a Maria Rita Spina, da Anjos do Brasil (a número 1 de tudo isso e a quem eu devo meu primeiro dever de casa chamado apresentação institucional há 4 meses);
-a Cris Lisbôa, que não contente em escrever como quem voa ainda criou e dá vida e jardim ao Go, Writers;
-a Fabi Secches que comanda o time da Confeitaria com uma poesia que nossa (!!);
-a Tania e a Emika que desenham sonhos na …com Lola e fizeram o favor de darem uns bons nós na minha cabeça num desses findes do outono;
-a Bia que mostrou que quem sabe faz ao vivo com as duas edições matadoras da Feira Plana e o sucesso da Kaput Livros;
-os caras da King Cap que cuidam do lugar mais legal da Vila Madalena sem deixar a peteca cair;
-a Carol Moré que cuida com tanto amor daquele Follow The Colours, que eu vou te dizer;
– todos que acreditam na trilha sonora do gueto e continuam a fazer rap nesse Brasilzão (tem Akira, tem Flora, tem Aori, tem Kamau, tem a família KL Jay, tem Marechal, tem Cooperativa da Rima)
-o Fernando Barcellos que acredita sem perder o brilho nos olhos dá o sangue nos Arteiros, no Dream Team do Passinho e onde quer que ele vá;
-o Dinho que é um dos caras mais ninja desse momento nesse país. Cara, se liga nesse moço, nem que seja pra discordar, debater ou marcar um café pra saber sobre a Universidade da Correria. Se tem alguém que inventou a vida no meio do caminho, taí.
-a Mari, que com um suco no Quitanda num dia de 15 afazeres deixou SP muito mais legal e na semana seguinte ainda criou o Don’t You Care?
-a galera do Labe=R que me recebe de portas abertas e não para de inspirar novas sinapses;
-todas as minhas amigas irmãs que arrasam no baile: Maíra que colocou o bloco na rua com o Pimp My Sneakers e não para de ficar cada dia mais foda; Ainá, beauty stylist que MANDA no lance de blacktittude no RJ, Thaís acreditando na Verkko;
-e last but not least, a inglesa mais sangue bom que apareceu na minha vida, Meg Powell e a toda turma que participou do treinamento NESTA + British Council no comecinho do mês, foi muito avassalador de bom.

E a dica final: se teu olhinho brilhar e o sorriso aparecer bem largo cada vez que você falar da tua ideia/projeto/negócio, não briga com a intuição, vai que é tua e o moço do arco-íris olha por você também.

4 Comments

  1. Renato says:

    Coisa mais linda e inspiradora esse pôster, você merece o M E L H O R sempre, conte comigo ♥

  2. Nathalia says:

    Sincero, bonito e inspirador! Obrigada! 🙂

  3. Post foda! Parabéns pela escrita, pelas ideias, por sonhar e por resistir 🙂 Espero que de lá pra cá tenha rolado muita coisa massa!

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