As releituras mágicas de Namsa Leuba

Fuxicando o site da fotógrafa Namsa Leuba descobri um livro lindo, editado por ela, propondo um resgate da luta dos Black Panthers: What We Want, What We Belive In. E bati um papo com ela sobre suas influências e inspirações:

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1.Quando e por que você escolheu a fotografia?
Em 2004, estudei Design da Informação, na Art School of La Chaux-de-Fonds, na Suíça. Quando eu estava no 2° período, decidi que queria me dedicar às imagens. Em 2011, me graduei na ECAL/ University of art and design, em Lausana, com bacharelado em Fotografia. Durante os estudos, desenvolvi uma curiosidade, sensibilidade e um olhar bem particular do mundo ao meu redor. e tem algum tempo que minha pesquisa tem seu foco na identidade africana a partir do olhar ocidental.

2.Por que a questão da identidade é tão recorrente no seu trabalho?
Acho que ser fruto de um mix de culturas é muito rico. eu sou afro-europeia, nascida na Suíça. Meus pais plantaram em mim ambas as culturas, assim como me contaram muito bem suas histórias. Quando eu comecei na ECAL University of Art and Design, eu já sabia que queria aprofundar meus conhecimentos sobre a minha herança africana e decidi focar meu trabalho nessa cultura.

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3.Quais são suas referências estéticas mais fortes?
Tudo que eu sabia antes da viagem à Guiné era que: minha mãe é muçulmana e meu pai é protestante, embora eu não tenha sido batizada. O aspecto religioso do país da minha mãe se tornou muito proeminente. Descobri um lado animista para a cultura guineense que se baseia no respeito que as pessoas têm por isso. Eu já tinha sido apresentada à parte sobrenatural da Guiné desde criança. Já visitei “marabus” e tomei parte em muitas cerimônias e rituais. E, para mim, foi importante para fazer este trabalho, porque agora eu me sinto mais consciente desta situação, da existência de um mundo paralelo. Me permitiu ser mais consciente da complexidade do mundo dos espíritos.

Eu tenho focado no lado mais invisível possível das emoções que as fotografias podem me fazer sentir. Eu uso minha experiência para visualizar uma foto e obter o entendimento completo de uma imagem. Da mesma forma, a arte da fotografia me permite exteriorizar as minhas emoções e o meu passado, contando a minha história através de diferentes disparos, em uma espécie de sincretismo. Todas as minhas fotos foram previamente imaginadas na minha mente.

4.Por que você escolheu os Panteras Negras, e não lideranças africanas, para serem as estrelas do seu livro?
Durante os meus estudos, eu desenvolvi uma abordagem histórica sobre os Black Panthers. “What we want What we believe in” é uma reconstituição, na Suíça, deste movimento enquanto herança iconográfica. Eu estudei muito mesmo sobre eles e decidi fazer esta reconstituição por causa do que eles representam ainda hoje.

5.O que você acha mais encantador na história dos Black Panthers?
Eles defenderam os direitos civis para os negros e lutaram contra a segregação racial que sofriam. Esta é uma luta ainda muito presente nos dias de hoje, para muitas pessoas que têm que lutar por seus direitos por causa da cor da pele. Sendo o que sou, uma mistura entre duas culturas diferentes e duas cores diferentes, sinto a necessidade de expor esse fenômeno, do meu ponto de vista negro.

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Aproveita pra navegar mais pelo site e conhecer trabalhos tão lindos quanto esse 😉

One Comment

  1. Luiza Brasil says:

    Sensacional!

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