Design para a cidade: Hunter Franks

Foi assim: li no GOOD sobre a League of Creative Interventionists e, na hora que cliquei, gamei no trabalho do Hunter Franks.

Ele é o fundador do Neighborhood Postcard Project, da League of Creative Interventionists, co-fundador do [freespace]., já foi artista residente na Makeshift Society e já comandou o gabinete de Inovação da Prefeitura de São Francisco.

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Depois de fuçar o site do cara de ponta a ponta, pensei que eu gostaria muito de ouvir mais sobre a experiência dele em co-criação, intervenções urbanas, empoderamento de comunidades marginalizadas e tals. Mandei um email despretensioso com uma pequena entrevista e, rá, ele respondeu. Tomara que a conversa inspire vocês o tanto que foi inspiradora pra mim, ó:

1. Qual a importância de dar voz às comunidades marginalizadas, quando falamos de criatividade para empoderamento?

Estereótipos pintam retratos incompletos das pessoas e das comunidades. Deixar as pessoas contarem suas próprias histórias tem um efeito extremamente poderoso e ajuda na compreensão de que temos muito mais pontos em comum do que diferenças. A gente só precisa parar por alguns momentos e ouvir as histórias uns dos outros.

2. Falando sobre o [freespace], você acha importante a existência de um espaço onde as pessoas podem estar fisicamente juntas, sentir a cidade e pensar soluções para os principais problemas?

Eu penso que um espaço físico é importante para conectar as pessoas. Em tempos onde nos movemos de casa pro trabalho, e de um ponto ao outro, é crucial a existência desses “terceiros lugares”, que frequentamos para desacelerar, pensar e criar. Eles não precisam ser permanentes. Criar espaços temporários para as pessoas estarem juntas, faz com que elas realizem as possibilidades desse tipo de iniciativa, e esse reconhecimento passa a gerar uma demanda por espaços permanentes ou de maior impacto.

3. Qual o maior problema nos espaços urbanos, atualmente?

Hoje em dia, o maior problema dos espaços urbanos é que eles são estáticos. As pessoas querem fazer uso desses lugares de maneiras diferentes do que acontecia antigamente, ainda que isso precise de permissões, requerimentos, aprovação do governo, e muito tempo para possam serem usados de um outro jeito. A alternativa é implementar intervenções temporárias simples que estimulem um pensamento diferente sobre a cidade. Essas intervenções permitem enxergar uma nova hipótese: um espaço pensado para as pessoas, diversão e interações espontâneas que ajudam a construir uma comunidade.

4. Eu li o seu post anunciando a criação da League of Creative Interventionists, e achei muito legal sua abordagem sobre experimentação. Você acha que o medo do fracasso ainda é um grande obstáculo quando falamos de inovação social? Qual a importância de “aprender fazendo” nos seus trabalhos?

É extremamente importante aprender fazendo. É a melhor maneira de aprender. Se você ficar meses ou anos procurando parceiros, investimento, permissões legais pra executar uma intervenção, você já reduz drasticamente o seu impacto. Comece pequeno e coloque suas ideias no mundo. Você vai aprender o que as pessoas querem de verdade e o que você será capaz de continuar criando a favor disso. Você vai ser capaz de mudar rapidamente o que não funciona, e fazer coisas melhores que funcionem. Esse medo de não colocar na rua o projeto até que ele esteja completo e funcionando em perfeitas condições, acaba afastando muitas pessoas de colocarem a mão na massa.

5. Quando estimula versões locais dos seus projetos no mundo todo, você acha importante adaptar valores e objetivos para cada realidade cultural? Ou no que diz respeito a inovação e espaços urbanos estamos todos enfrentando os mesmos desafios?

A maioria do meu trabalho gira em torno do desejo humano de conexão compartilhada. Todos nós buscamos conexões mais humanas, e eu acho que isso é consistente em qualquer cultura. Ao mesmo tempo, cada cultura, cidade e bairro é único e enfrenta desafios diferentes. Eu tento trabalhar em forte colaboração com a comunidade que se propõe a adotar um dos meus projetos, para garantir que ele se adapte às suas necessidades e desejos.

6. Quando você convida pessoas de todo o mundo para participar de uma iniciativa, qual é o sue ponto principal?

Abro o código da maioria dos meus projetos para o mundo, porque eu sei que existem pessoas em todos os lugares que compartilham o desejo de quebrar as barreiras sociais e construir a comunidade onde vivem. Eu providencio os toolkits e templates para meus projetos online, e assim qualquer pessoa pode participar.

7. Você acredita que as pessoas estão perdendo o feeling básico dos relacionamentos humanos?

Não acho que as pessoas não tenham mais relações significativas. Eu acho que elas realmente têm relações fortes, mas não com as pessoas que não se parecem com elas. Estamos com medo das pessoas que não conhecemos. Estamos com medo de pessoas que se vestem de maneira diferente ou vivem em uma parte da cidade que nunca fomos. Estamos com medo de falar com estranhos. Mas, em algum ponto seu melhor amigo, seu namorado ou namorada são completamente estranhos pra você. Conversar com estranhos é o primeiro passo para a construção de qualquer tipo de relacionamento. Quanto mais diversas forem as relações que você tiver, mais jeitos de viver você vai conseguir entender, e você se tornará uma pessoa muito mais rica.

8. Deixe um conselho geral para as pessoas que querem estimular algumas mudanças usando a criatividade e co-criação:

Converse com estranhos. Veja o que acontece. As chances de que você faça o dia deles, é grande. E vice-versa.

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