Mídia Ninja, a rede e o Jacaré

Na semana passada fui na edição de fevereiro do Creative Mornings – encontros bacanérrimos que acontecem uma vez por mês de manhã antes do trabalho, em várias cidades do mundo – ouvir a galera da Mídia Ninja.

Pausa 1, ou começando do começo:

O que eu conhecia do trabalho dos caras? A cobertura das manifestações de junho de 2013 no Rio e em Sampa. O que eu acho do Fora do Eixo? Não conheço nada além dos discursos facebookianos (prós e contra) e seu poder (indiscutível) de rede. E foi com essa bagagem/ bias /viés que eu cheguei na Escola São Paulo, com disposição pra inspiração.

E quer saber? Zero decepção. O que me pegou? Uma palavrinha muito bem conjugada na vida real: ruptura.

Pausa 2:

rup.tu.ra s.f. 1 ação de romper(-se) ou o seu efeito; rompimento 2 interrupção da continuidade; corte, divisão

No caso: interrupção da continuidade de um pensamento que ainda tinha a mídia tradicional como hub das falas relevantes do país. Rompimento de um padrão de cobertura jornalística “intimidante”: quem está autorizado a contar a “verdade” é o jornalista/cinegrafista especializado, contratado por uma empresa de comunicação, e quem está autorizado a transmitir a “verdade” é um veículo com alcance nacional/internacional – medido pelo ibope.

E aí? Deslocamento interessante: poder de rede se torna o capital principal da discussão. E ele não vem sozinho amuado pra perder no campo da teoria, se concretiza no celular que filma, no livestreaming, no facebook e na multiplicabilidade (eita, será que existe?) de um modelo dinâmico, acessível e eficiente.

Produção de conteúdo autoral -> feita de maneira muito barata e colaborativa -> poder de rede e mobilização -> posicionamento publicamente conhecido. E assim a Mídia Ninja acaba funcionando como um grande hub para o movimento midialivrista em todo mundo.

Para esclarecer: eles não falaram em nenhum momento sobre como a revolução é uma coisa “sonhos sempre vem pra quem sonhar”. Não, a opção por um lifestyle coletivista até a última ponta, o fato de serem muito jovens e terem aprendido a lidar com a desmonetarização dos serviços jogando isso a seu favor, é o que faz a roda da história girar.

Fade out. Fade in. Corta pro outro núcleo.

Um inbox do Léo Lima na minha caixa dizia:

“A Baiana (https://www.facebook.com/miillasouza), moradora e ativista do Jacarezinho, está numa situação de urgência e perigo!! Ela, que se encontra num terreno na Penha, na Rua Luisa Figueiredo 141, próximo à 22a DP, onde capinava e arrumava para possível implantação de projeto para atendimento de jovens dependentes químicos, foi TRANCADA por fora no mesmo e cercada por policiais, numa atitude ilegal e arbitrária que caracteriza CÁRCERE PRIVADO entre outros crimes. Policiais dessa área são conhecidos como membros de grupos de extermínio, e Baiana com certeza teme por sua vida. Ela pode ser contactada no telefone 97390-2632. Quem puder informe advogados e autoridades!

Compartilha ai pessoal, por favor!
Ela esta correndo perigo, milicianos estão esperando anoitecer para fazer covardias.
Quem estiver perto da penha, chega lá.”

Em poucos minutos: compartilhamentos, gente no local, autoridades pressionadas, Milla fora de perigo (por enquanto).

A lente com a qual eu enxergo isso tudo: coisa linda ver esses discursos tão distantes das timelines mais hypadas da cidade maravilhosa agindo incansavelmente mesmo com o lado A insistindo tanto em ser surdo. Coisa linda Léo, Raull e Pamela na linha de frente (#procuremesmosaber). Coisa linda esse hackeamento da base pra base.

Vida longa à ruptura e saudações a quem tem coragem.

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