Sarajane, alumbramento e Wolverine

Nessa vida de link do link no facebook (Mark, te devo um monte), soube que ia rolar no RJ o primeiro módulo de um curso de escrita criativa chamado Go, Writers, organizado pela galera do CoolHow num fim de semana de primavera. Fuxiquei dali pesquisei daqui e pá. Fiz uma das melhores decisões de 2013.

Primeiro dia de aula: a gente ganha um desmanual da escrita, a professora diz que estamos ali pra sair da zona de conforto, abrir a roda, enlarguecer e escrever é a atitude mais solitária do mundo. Pronto. Apaixonei. Na hora do “tema de casa”, surge a palavra que passa a empatar com coragem, mar e estrela no meu dicionário existencial: alumbramento. Não tem no míni Houaiss, mas o significado é algo que te transforma no que você, de fato, é. Eu escolhi o morro do Cantagalo. Porque se eu não tivesse tido a oportunidade de viver tudo que eu sorri, chorei, caí, levantei, dancei, causei, morri e ressuscitei por lá, eu não seria nada do que eu sou hoje.

Ponto de partida escolhido, hora de construir o texto. E praticar. E experimentar. Todo dia. No email, no status, no projeto pro cliente, na colaboração pro blog e no bilhete pra professora do filho. Escrever é olhar no espelho. É evoluir num grau de autoconhecimento quase doloroso. É enfrentar de peito aberto os perigos da liberdade desafiando os limites da empatia. Nossa, é difícil pacas.

Chegou o grande dia, módulo 2: esqueminha intimista, lágrimas, paixões, memórias em fúria, dizer x mostrar, sensibilidade de observação antropológica, um desmanual que sugere que você ame redemoinhos, a descoberta de que a perfeição sucks, uns textos rabiscados, gente fina-elegante-sincera e e uma descrição porreta do Wolverine:

“a dor é o estopim. ninguém sabe o peso do mundo que wolverine carrega nos ombros e nas garras. mesmo assim, em cada misão, ele vai por inteiro. num exercício de entrega que camufla sua vontade de fugir de si nem que seja por alguns instantes. ou só por um episódio / um lobo solitário entregue a paixões que nunca tiveram fim. jean grey não teve coragem, mas em wolverine sempre coube paixão suficiente para dois / intensidade é sobrenome, um carma, uma escolha. e ele segue como um mutante, no fundo, sempre sozinho.”

Bom, todas essas linhas são pra te dizer: faça Go, Writers. Sempre que puder, onde estiver. Acompanhe as datas por aqui e vai que é tua.

Dica de veterana: a professora gosta de dizer que é bochechuda, mas isso não significa que ela seja simpática. É truque. Cris Lisbôa é uma das pessoas mais adoravelmente alumbrantes que brilham por aí.

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